terça-feira, 13 de março de 2012

Administração de Caixa - Parte I


Todos os ativos líquidos (Estoques e Duplicatas a Receber, basicamente) podem ser transformados em uma moeda corrente chamada Caixa. Esta conta, juntamente com o os títulos negociáveis (títulos de curto prazo do mercado financeiro), dá à empresa a garantia de pagar suas obrigações programadas no momento em que elas ocorrerem, bem como estar preparada para eventuais “sustos” que possam ocorrer. Deste modo, as empresas devem manter um saldo mínimo de caixa que seja suficiente para evitar uma condição de insolvência (incapacidade de pagamento das obrigações).

Existem três motivos para que as empresas mantenham um saldo mínimo de caixa: Pagamento das necessidades previstas em suas atividades operacionais (motivo transacional); Pagamento das necessidades não previstas, normalmente com resgate recursos de títulos negociáveis (motivo precaução); Aproveitar oportunidades inesperadas, tais como ofertas dos fornecedores, normalmente com resgate recursos de títulos negociáveis (motivo especulação).

O saldo em caixa a ser mantido por uma empresa objetiva elevar o valor da empresa, considerando o equilíbrio entre o binômio risco-retorno. Quanto maior o saldo de caixa mantido pela empresa, menor o risco que ela corre em não honrar as suas obrigações, mas menor também a sua lucratividade.

Objetivando determinar o saldo mínimo de caixa que seja ideal a ser mantido por uma empresa, existem dois modelos: o Modelo de  Baumol  (também chamado de Lote Econômico) e o Modelo Miller-Orr.

O Valor Econômico de Baumol: Este modelo busca mensurar quanto de recursos aplicados em títulos conversíveis deve ser aplicados em caixa, ou seja, transformados em moeda e colocados à disposição da empresa. O caixa é considerado um item de estoque, tanto é que este modelo também é aplicada na administração dos estoques. Baumol trata as necessidades de caixa como sendo totalmente previstas e dentro de um fluxo constante.

Para chegar a formulação de seu modelo, Baumol faz as seguintes considerações:

Em dado período, um empresa pagará “T” reais em parcelas iguais. Os recursos para o pagamento destas parcelas são oriundos de empréstimos ou de saque de algum investimento de curto prazo (títulos conversíveis) que a empresa tenha, em ambos os casos existe a taxa de oportunidade “i. Os recursos são retirados em quantidades de “C” reais, em iguais períodos de tempo durante todo o ano, e cada vez que são feitas estas retiradas existe a necessidade de pagamento de uma taxa administrativa (broker fee), de “b” reais. “T”, valor das transações (necessidade de caixa), é predeterminado e “i” e “b” são tidos como constantes.

A quantidade de retiradas “C” que a empresa precisará fazer em um ano para arcar com suas obrigações “T” será igual a T/C. Estas retiradas originam o chamado custo de obtenção que é dado pela seguinte fórmula:
Custo de obtenção = b x T/ C, b é custo chamado “broker fee” ou custo de transação, “b”, em R$.

Tendo em vista que os recursos “C” são sacados de forma contínua, existe um volume médio de caixa, C/2, que origina um custo de manutenção descrito pela seguinte fórmula:

Custo de manutenção = i x C/2, onde “i” é a taxa de juros anual.

Assim, o custo total que a empresa arcará será o somatório do custo de obtenção com o custo de manutenção. Entretanto, este custo de manutenção deve ser mínimo, ou seja, que aumente o valor econômico da empresa. O ponto em que o custo é mínimo, está em equilíbrio, é quando o custo de obtenção iguala-se ao custo de manutenção:

b x T/ C = i x C/2, isolando C, tem-se:
 



Modelo de Baumol
Fonte: Gitman (2007, p.666)

Do gráfico acima, observa-se que a o saldo disponível de caixa da empresa reduz-se continuamente até que esta faça nova aquisição de recursos. Neste exemplo, a empresa necessitou buscar recursos (suprir o seu caixa) duas vezes, o que indica que o giro do caixa é igual a dois.


O próprio Baumol reconhece as seguintes limitações no método:

  • É um modelo estático, ou seja, os fluxos são previsíveis;
  • Assume que “b” é constante, variando linearmente com a magnitude do somatório envolvido;
  • Os pagamentos são fixos e não há recebimentos de outros recursos durante o período;



Exercício em sala

1 - Uma pequena distribuidora de produtos prevê uma necessidade de caixa de R$ 15.000,00. O custo de conversão é de R$ 30,00 e a aplicações dos títulos negociáveis rende 8% a.a Calcule o valor das retiradas que serão feitas, o custo de obter estas retiradas, de manter o caixa e o custo total.


2 - A empresa ABC projeta as suas saídas de caixa em R$ 180.000,00 para o próximo ano. Para minimizar o investimento em caixa, a empresa usa o Modelo de Baumol. O custo de conversão dos títulos é de R$ 45,00 por operação e o custo de oportunidade dos títulos negociáveis é de 10% a.a. Calcule o valor das retiradas que serão feitas, o custo de obter estas retiradas, de manter o caixa e o custo total.

3 - A empresa Sergipe Ltda tem uma saída de caixa de R$ 100,00 por dia, sete dias por semana. O custo de oportunidade dos títulos conversíveis é de 5% a.a, sendo comprada uma taxa administrativa de R$ 10,00 por transação. Determinar o caixa ótimo e o custo total.



No próximo artigo, veremos o modelo de Miller-Orr.

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