sábado, 11 de fevereiro de 2012

Qual a sua necessidade de investimento em giro?

Adm. Vinicius Caldas*

Na pesquisa realizada pela KPMG Corporate Finance foi constatado que 33% das empresas pesquisadas tinham como razão do seu endividamento o financiamento do capital de giro. Isto que dizer que, para manter as suas atividades, aquelas empresas precisaram recorrer a recursos de terceiros para cumprir as suas obrigações.
Este é um típico caso do que Michel Fleuriet, renomado docente da Fundação Dom Cabral, chama “efeito tesoura”: a empresa não dispõe de capital circulante líquido suficiente para atender à sua necessidade de capital de giro. Para sair desta situação, ela começa a tomar medidas que nem sempre são as mais viáveis financeiramente, devido ao encargo financeiro e ao risco que representam. Dentre as mais comuns, destacamos o desconto de cheques e de duplicatas. Neste tipo de operação, você antecipa, junto a uma instituição financeira, um cheque ou uma duplicata que vencerá em uma data futura, sob uma taxa de juros previamente estabelecida. Assim, o banco paga o valor líquido (valor nominal do cheque menos os encargos da transação) à sua empresa e vai cobrar na data do vencimento o valor do cheque ou da duplicata ao seu cliente. Só tem um detalhe - se o seu cliente não honrar o compromisso junto ao banco, você é quem vai assumir o prejuízo.
Como exemplo prático de nossa experiência em consultoria empresarial, podemos citar o caso de uma empresa sergipana que, devido à triste situação financeira em que se encontrava, financiava o seu capital de giro nas mãos de um agiota. É o que podemos chamar de suicídio financeiro na sua mais pura acepção.
Mas, para a sua empresa não chegar a cometer um “suicídio” deste tipo, vamos detalhar as saídas que as empresa pesquisadas pela KPMG Corporate Finance encontraram para manter a saúde financeira:
•    Melhoria da eficiência de estoques: Foi-se o tempo em que manter um estoque alto era sinal de boa administração. A empresa deve manter estoques compatíveis com a sua realidade e que garantam o atendimento à demanda, mas sem exageros. Estoque em excesso é um custo elevado e, muitas vezes, você não tem como ratear para o seu produto/serviço. Há o caso de uma empresa que, apenas com a mera expectativa de uma venda futura, comprou sem nenhum planejamento diversas matérias-primas para a sua produção. Resultado: as matérias-primas chegaram e os boletos para pagamento também, só que a venda que a empresa tanto esperava foi cancelada e ela teve que recorrer a um empréstimo bancário para honrar os compromissos assumidos com os seus fornecedores. Assim, compre apenas o que estiver dentro do seu orçamento e de uma programação prévia de compras, sob pena de comprometer o seu capital de giro. Sua empresa pode adotar também o que chamamos de “Just in time”, onde os estoques são mantidos no nível ideal para a produção planejada.
•    Maior efetividade nas contas a receber: Este item é de suma importância. Há empresas que tem um ativo enorme de contas a receber, mas são tão desorganizadas que simplesmente não sabem nem por onde começar. Tenha cuidado com os prazos elásticos demais que sua empresa vende, pois grandes marcas faliram por isso, e principalmente com o seu fluxo de caixa que deve apontar de forma precisa as contas que estão em dia e as que estão em débito com a sua empresa. Se possível, centralize o seu processo de cobrança, a fim de trazer maior efetividade ao mesmo.
•    Melhora na gestão das contas a pagar: Se receber as contas em dia é fundamental, pagá-las também é. Quem paga em dia tem crédito na praça e poder de barganha junto aos fornecedores. Entretanto, suas contas a pagar devem estar dentro do orçamento anual determinado por sua empresa. Não dá para comprar de qualquer jeito, sem pesquisar e sem fazer nenhuma comparação entre os fornecedores. Seja metódico com suas contas a pagar e se possível centralize o setor de compras para você ter um maior controle dos recursos que saem de sua empresa.
Um ponto que não deve ser esquecido com relação às contas a pagar e a receber. Sempre que possível, negocie com seus fornecedores para esticarem ao máximo o prazo para o pagamento das compras de sua empresa. Negocie também com seus clientes para diminuírem o prazo de pagamento de suas vendas. O ideal é que você recebesse antes de pagar aos seus fornecedores, tornando o seu ciclo financeiro mais efetivo. Afinal de contas, sonhar ainda é possível e de graça.

                                                      * Administrador e Professor da Faculdade São Luís de França

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